Uma pequena pausa para começar o dia com uma pergunta, uma ideia ou um novo olhar. Aqui vamos reunir textos curtos de cada manhã.

A cidade que não tinha iguais

Na cidade de Entrelaços, ninguém fazia as coisas do mesmo jeito.

Lia enxergava formas nas nuvens e as transformava em desenhos. Tomás entendia de sementes: sabia quais precisavam de sombra e quais buscavam o sol. Bia tinha ouvido para sons pequenos, como o bater das asas de um beija-flor atrás da janela. E Nilo adorava números. Era ele quem percebia quando faltaria água antes que alguém visse o fundo do reservatório.

Cada um gostava de passar um tempo fazendo suas próprias coisas. Lia desenhava por horas. Tomás cultivava seu jardim. Bia inventava músicas, e Nilo resolvia problemas que pareciam impossíveis.

Um dia, a praça da cidade ficou vazia. O verão estava quente demais, as plantas secaram e já não havia um lugar agradável para se encontrar.

— Precisamos trazer a praça de volta — disse Lia.

Ela desenhou um jardim cheio de árvores com copas enormes. Tomás escolheu espécies que cresceriam bem naquele lugar. Nilo calculou como guardar a água da chuva para regar o jardim e mantê-lo verde ao longo do ano. Bia percebeu que os pássaros haviam se afastado e sugeriu plantas que lhes dariam abrigo.

Outros vizinhos chegaram com suas ideias. Alguns sabiam construir; outros gostavam de cuidar das plantas. Havia quem preparasse comida para todos e quem simplesmente aparecesse para carregar uma pá, ouvir uma sugestão ou fazer companhia.

A praça não ficou pronta em um dia. Também ficou diferente do desenho inicial de Lia. Ficou melhor: tinha um pouco da imaginação e do trabalho de muita gente que se uniu.

Quando as primeiras árvores deram sombra, Bia ouviu um pássaro cantar. Chamou os amigos para escutar.

— Acho que ele gostou daqui — disse Tomás.

Nilo olhou em volta e sorriu:

— Engraçado. Se todos nós soubéssemos fazer exatamente a mesma coisa, talvez esta praça nunca existisse.

Lia abriu o caderno e desenhou os quatro debaixo da árvore. Usou uma cor diferente para cada um. Depois, deixou espaço na página para todos os outros que ainda chegariam.